Protocolo de sepse: como a mudança do seu gerenciamento pode impactar diretamente a redução da mortalidade por sepse
Palavras-chave:
sepse, protocolos clínicos, antimicrobianosResumo
Introdução: A sepse apresenta alta prevalência e mortalidade, sendo a identificação precoce e a adoção de medidas terapêuticas na primeira hora determinantes para redução de óbitos. Entretanto, o gerenciamento do protocolo sepse permanece um desafio, especialmente pela dificuldade em identificar retrospectivamente casos não reconhecidos pela equipe assistencial. Objetivo: Apresentar mudanças no gerenciamento do protocolo sepse em um hospital público secundário e seu impacto na adesão ao antimicrobiano na primeira hora e na mortalidade por sepse. Metodologia: Foi implantada uma ficha física padronizada contendo critérios de caso suspeito, horários de identificação do caso, coleta de exames e administração das medidas da primeira hora. Além disso, passou-se a realizar busca retrospectiva de casos por diferentes marcadores: coleta de kit sepse, CID de infecção/sepse na admissão e óbitos com CID relacionado à sepse. Foram incluídos casos com suspeita de infecção associada a critérios de SIRS e/ou disfunção orgânica. Avaliaram-se adesão ao antimicrobiano na primeira hora e taxa de letalidade por sepse confirmada entre maio de 2024 e junho de 2025. Resultados: Foram analisados 205 casos suspeitos de sepse, sendo 100 identificados pela ficha física, 69 pelo kit sepse, 12 por CID de sepse/choque séptico e 24 por óbitos relacionados. A adesão ao antimicrobiano na primeira hora foi de 72% nos casos identificados pela ficha física, superior à observada nos casos identificados por kit sepse (58%) e relatórios retrospectivos (50%). A análise dos casos evidenciou falhas relacionadas à identificação tardia e ao atraso entre prescrição e administração do antimicrobiano. Em resposta,
foram implementadas medidas institucionais, incluindo dose de ataque de antibióticos no prontuário eletrônico, kit físico de antimicrobianos, recomendações padronizadas de antibioticoterapia, treinamentos multiprofissionais e revisão de óbitos. Após as intervenções, a adesão ao antimicrobiano na primeira hora aumentou de 29 para 75%, com impacto positivo na mortalidade por sepse. Conclusão: o gerenciamento ampliado e sistemático do protocolo sepse, associado à análise criteriosa de prontuários e intervenções direcionadas, contribuiu para maior adesão às medidas da primeira hora e redução da mortalidade institucional por sepse.